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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Prefeito de Aiuaba é posto em liberdade e recebido com carreata no município

DIVULGAÇÃO / ASS. DEPUTADO GENECIAS NORONHA
Manifestação de apoio ao prefeito Airton Araújo em Aiua


Atualizada às 15h20min
O prefeito do município de Aiuaba(Região dos Inhamuns), Airton Araújo (Pros), foi posto em liberdade, na quinta-feira, 8, após 15 dias detido na Delegacia de Captura, em Fortaleza, segundo informações da Polícia Civil do Estado. Airton estava preso desde o dia 23 de abril, após operação de combate à corrupção, feita pelo Ministério Público e a Polícia Civil. 

Após alvará de soltura expedido pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) foram soltos também o irmão do prefeito, investigado como controlador financeiro, o secretário de finanças e o tesoureiro do município.

Festa no município

Airton voltou para a cidade de Aiuaba na manhã desta sexta-feira, 9, acompanhado do deputado federal Genecias Noronha (SDD) e do deputado estadual Idemar Citó (DEM). A população organizou uma carreata para recebê-lo. 

Desde janeiro de 2014, Aiuaba vive clima de acirramento político, depois que Airton pediu que o ex-prefeito Ramílson Araújo – de quem é primo e apadrinhado político – deixasse as atividades no Executivo, afirmando, inclusive, que ainda era o ex-prefeito o responsável pela administração da Prefeitura.

Prisão
O atual prefeito e as outras três pessoas são acusados de fraude em licitações, lavagem de capitais, peculato, formação de quadrilha, desvio de dinheiro público e enriquecimento ilícito, segundo informações do Ministério Público Estadual (MPE).

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Novas regras para criação de municípios

A expectativa é que a proposta mais recente diminua em um terço o número de cidades que podem ser criadas


brasilia
Projeto de Raupp prevê, pelo menos, 12 mil habitantes para cidades criadas no Nordeste
FOTO: AGÊNCIA BRASIL
Brasília. O plenário do Senado aprovou ontem o texto base do projeto que define novas regras para a criação de municípios. A proposta é fruto de acordo com o governo para manter o veto presidencial a um texto semelhante, que poderia ampliar gastos com a máquina pública.
Embora tenha o objetivo de substituir regras já avalizadas no Congresso e vetadas pela presidente Dilma Rousseff, os senadores ainda precisam votar quatro emendas apresentadas para, em seguida, enviar o projeto para passar pelo crivo dos deputados.
A expectativa é que a nova proposta, relatada pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO), diminua em um terço o número de cidades que podem ser criadas. O primeiro projeto abria caminho para a regularização de 57 cidades e a criação de outras 188, com um custo estimado em R$ 9 bilhões para a montagem de novas estruturas administrativas. O novo texto deve dar oportunidade para a formação de, no máximo, 130 cidades.
As emendas que ainda precisam ser analisadas, contudo, podem limitar ainda mais esse cenário. Uma determina que novos municípios do Norte e Centro-Oeste devem ter área territorial de, pelo menos, 200 quilômetros quadrados. O limite para as criações de cidades em outras regiões fica em 100 quilômetros quadrados, segundo a emenda. A votação desses pontos será na semana que vem.
Norte e Nordeste
Como está, o projeto beneficia as regiões Norte e Nordeste, com menor densidade populacional, o que não ocorria na proposta anterior. Por orientação do governo, Raupp aumentou a população mínima exigida do novo município. No Sul e Sudeste, o relatório passou de 12 mil para 20 mil a quantidade de habitantes para o novo município. No Nordeste, esse limite, que no texto vetado por Dilma era de 8,4 mil, agora será de 12 mil. No Centro-Oeste e Norte foi mantida a exigência de 6 mil moradores na nova cidade. O novo projeto também reduz de 10% para 3% da população dos locais envolvidos o número de assinaturas para iniciar processo de fusão ou incorporação.


Prefeitura prorroga validade de carteiras de estudante antigas até o fim do mês


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Ao passar a carteira antiga, o validador mostrará mensagem de recusa, mas o cobrador liberará a meia passagem
FOTO: ARQUIVO DIÁRIO
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O anúncio foi feito em coletiva à imprensa na sede da Etufor, na manhã desta quinta (8)
FOTO: LIA GIRÃO
A Prefeitura de Fortaleza vai prorrogar o prazo de validade das carteiras estudantisdos anos de 2012 e 2013 e do Bilhete Único Estudantil 2013 a partir da 0h desta sexta (9) até o próximo dia 31 de maio. O prazo é tido pela gestão como suficiente para a entrega de todos os documentos que ainda faltam.
Basta o estudante apresentar a carteira antiga no transporte coletivo para voltar a pagar o valor de R$ 1,10. O anúncio foi feito em coletiva na manhã desta quinta-feira (8), na sede da Etufor. Ao passar o cartão vencido no validador do ônibus, irá aparecer mensagem de recusa, mas é o passo necessário para que o cobrador possa autorizar a meia passagem, afirmou Antônio Ferreira, presidente da Etufor.
Conforme a Prefeitura, dos 366 mil estudantes que deram entrada no processo, cerca de 150 mil deixaram de concluir alguma etapa no processo de solitação da carteira junto à Etufor - cujo período foi de janeiro a abril - e ficaram sem o documento. Conforme a Empresa, desde o fim do prazo anterior de validade das carteiras, o órgão tem recebido aproximadamente 2.000 alunos diariamente, a maioria com o intuito de ainda dar início ao processo de solicitação.
Fim do prazo gerou protestos de estudantes
O término do prazo de validade das carteiras antigas, no último dia 30 de abril, gerou revolta nos estudantes, correria à sede da Etufor e culminou em protestos no Terminal de Messejana, na quarta-feira (8). O local virou palco de confronto entre alunos da rede pública e polícia, e terminou com jovens feridos e ônibus depredados.

De acordo com a Etufor, até o final do mês passado, 135 mil carteiras solicitadas até o dia 15 de abril foram entregues às entidades estudantis, responsáveis pela distribuição dos documentos. Outras 150 mil pessoas ainda não receberam o cartão porque estão com algum tipo de pendência no processo. Segundo a Etufor, são necessários cerca de 30 dias, desde a solicitação do documento, até o recebimento dele.
A Empresa pede que os estudantes formulem o pedido do documento através da instituição de ensino ou na página eletrônica da Etufor (onde é possível consultar também o processo deandamento da solicitação) e depois realizem o cadastro da biometria facial em um dos postos do Bilhete Único o mais rápido possível, para que recebam a carteira nova até o fim da prorrogação e não passem por problemas de bloqueio. A Prefeitura reforçou que a solicitação da carteira de estudante de 2014 pode ser feita durante todo o ano. 
A estudante da Universidade Federal do Ceará (UFC), Alexandra Gonçalves, aguardava atendimento na manhã desta quinta (8). Ela deu início ao processo em janeiro, mas não fez o cadastro biométrico e acabou ficando com a nova carteira pendente. Já com a supervisora do trabalho, Aurilene Couto, o problema foi outro, a escola atrasou a entrega das declarações dos dois filhos dela e, por isso, o benefício não veio na hora correta.
Transferência de créditos para o novo documento
A partir desta quinta-feira (8) os alunos que possuem crédito na carteira de estudante de 2012 e 2013 ou no Bilhete Único Estudantil poderão fazer a transferência dos valores para a nova em qualquer um dos postos do Bilhete Único. A mudança é imediata e é preciso apenas levar os documentos, o novo e o antigo.
Veja como solicitar a carteira
Estudantes da rede pública
Os alunos devem fazer a solicitação da carteira na direção da escola. Em seguida, deve dirigir-se a um dos pontos do Bilhete Único - nos terminais, na Praça Coração de Jesus, Praça José de Alencar, sede da Etufor e sede do Sindiônibus - para realizar o cadastro da biometria facial. É necessário apresentar documento com foto e comprovante de endereço com CEP.
Estudantes da rede privada
Os estudantes da rede privada devem emitir o boleto no site da Etufor, realizar o pagamento na agência lotérica e ir até um dos pontos do Bilhete Único para cadastrar a biometria. Também é necessário apresentar documento com foto e comprovante de endereço com CEP.
Quem nunca teve carteira ou possuiu último documento em 2007
O aluno deve ir à sede da Etufor portando documento com foto, comprovante de endereço com CEP e declaração de matrícula.
Quem já possui biometria facial cadastrada
Não precisa passar novamente por essa etapa. Basta solicitar o documento pelo site, ou na instituição de ensino, dependendo dos critérios acima. 
 As informações são da repórter Lia Girão

CHARGE DA SEMANA - BY O POVO

CHARGE

LUTO NA MÚSICA BRASILEIRA


Morre aos 75 anos o cantor Jair Rodrigues


O cantor Jair Rodrigues morreu na manhã desta quinta-feira, 8, em Cotia, no interior de São Paulo. A informação foi confirmada pela assessoria do cantor à CARAS Digital. A causa da morte ainda não foi confirmada.


terça-feira, 6 de maio de 2014

DOAÇÕES DE ÓRGÃO NO CEARÁ

Ceará tem o maior número de doadores efetivos no Brasil


Número de procedimentos no primeiro quadrimestre já ultrapassa o do igual período de 2013



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No ano passado, foram realizados 30 transplantes de coração. Nos últimos sete anos, com exceção de 2012,o Ceará registra recordes sucessivos
FOTO: ALEX COSTA
O Ceará teve o maior número relativo de doadores efetivos de órgãos e tecidos para transplantes no primeiro trimestre de 2014 no Brasil. O Estado atingiu a marca de 29,3 doadores efetivos por milhão da população (ppm), ultrapassando os números de Santa Catarina e do Distrito Federal, líderes nos últimos dois anos. Os dados são da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).
Até março de 2014, o Ceará notificou 162 potenciais doadores, o terceiro maior número do País, atrás apenas de São Paulo (572) e Rio de Janeiro (225). O Estado conseguiu a efetivação de 62 doadores, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes.
Dados da Sesa também indicam que o Ceará, no primeiro quadrimestre deste ano, entre janeiro e abril, contabilizou 396 procedimentos. O primeiro transplante de medula óssea alogênico (de uma pessoa para outra) é destaque absoluto. Em igual período de 2013, foram 393 cirurgias. A diferença é de menos de 1%, mas indica que o Estado fortalece a excelência quando o assunto é transplantes de órgãos e tecidos no Brasil.
Somente os transplantes de rim de doador falecido somam 91 nesses primeiros meses do ano, contra 88 de igual período de 2013. Os de fígado já são 65 contra 58 e os de córnea, 206 contra 198.
De acordo com os números finais da Central de Transplantes, em todo o ano passado foram realizados 250 transplantes de rim de doador falecido, 15 de doador vivo; 10 de rim/pâncreas; 30 de coração; 194 de fígado; oito de pulmão; 55 de medula óssea; nove de valva cardíaca; 762 de córnea; 27 de esclera (parte branca do olho) e um de osso. Em 2013, o Estado registrou também novos recordes de transplantes de fígado, pulmão e medula óssea.
Recordes
De acordo com a coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Eliana Barbosa, desde 2007, o Ceará vem registrando recordes sucessivos de transplantes realizados ano a ano, à exceção de 2012. Foram 654 transplantes em 2007; 742 em 2008; 760 em 2009; 872 em 2010; 1.295 em 2011; 1.269 em 2012 e 1.361 em 2013.
Diante do crescimento do número de procedimentos, o Ceará recebe pacientes com indicação de transplantes de fora do Estado. Com isso, a fila de ativos na lista de espera soma 1.092, sendo desse total, 341 para rim, 123 para fígado e 499 de córnea.
Na avaliação da Central, o crescimento dos números de transplantes no Ceará vem agregado de inovações. Entre elas, destaque para descentralização na captação de órgãos.
O Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, e o Hospital Regional Norte, construídos pelo governo do Estado, fazem captação de órgãos. O serviço aéreo para transporte de órgãos do Interior para a Capital e até de outros Estados em qualquer dia e hora da semana também contribui para o aumento e qualidade dos transplantes.
Ainda nas inovações, o Ceará passou a realizar transplantes de pulmão em 2011. Não foi apenas o primeiro transplante de pulmão do Estado. Foi o primeiro das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Antes de 2011, o Estado já havia comemorado outras duas inovações: em 2008 a realização de transplante de medula autólogo pelo Hemoce, unidade da rede estadual, em parceria com o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), do governo federal, e em 2009 o primeiro transplante de pâncreas realizado no Hospital Geral de Fortaleza (HGF).
Iniciativa
Os números ascendentes decorrem também da ação efetiva da Campanha Doe de Coração, da Fundação Edson Queiroz, com apoio do Sistema Verdes Mares e parceria da Universidade de Fortaleza (Unifor), que completa 12 anos em 2014, comemorando a contribuição decisiva para a colocação do Ceará entre os estados de maior destaque em doação de órgãos e tecidos do País.
Realizada todo mês de setembro, a campanha sensibiliza a sociedade sobre a temática através de anúncios em veículos de comunicação, distribuição de cartilhas, cartazes e camisas. Há ainda a mobilização realizada em hospitais públicos e privados, clínicas, escolas, no Sistema Verdes Mares, na Unifor e em outras grandes entidades.
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domingo, 4 de maio de 2014

COPIEI, TÁ COPIADO

O “Esquenta”, de Regina Casé, é o programa mais racista da TV?

Ela
Ela

O Esquenta é o programa mais conservador da televisão brasileira. É uma versão barulhenta e colorida de velhos costumes. Num primeiro olhar, parece uma grande festa na periferia, na qual as gírias, danças e modas de regiões com IDH baixo e criminalidade alta são irradiadas para todo o país pela tevê.
Vemos meninos contorcendo as articulações em performances de passinho, meninas com minissaia e microvocabulário, rapazes negros com cabelos louros e óculos espelhados de cores berrantes rodando o salão felizes e eufóricos. A festa mistura samba, funk, estilo de vida despreocupado e despudorado, concurso de beleza, humor, artistas de novela, enfim, para usar um termo bem periférico, “tudo junto e misturado”.
Essas características, apenas, não me incomodam. Não sou quadrado, respeito e até admiro algumas formas de cultura vindas do gueto e abuso do direito de desligar a TV. O que me irrita, e muito, e faz com que chame o programa de conservador e escravocrata é a cor de pele predominante nessa festa maluca.
Certamente o Esquenta é o programa com o maior percentual de negros da TV aberta. Enquanto as novelas, seriados e telejornais são predominantemente caucasianos, quem manda ali são os negros e pardos.
É esse o ponto. O programa reforça o estereótipo dos negros brasileiros como indivíduos suburbanos, subempregados, mas ainda assim felizes, sempre com um sorriso no rosto, esquecendo-se das mazelas cotidianas por meio da dança, do remelexo, das rimas pobres do funk, do mau gosto de penteados e cortes de cabelo extravagantes.
Sou negro e não sei sambar, não pinto meu cabelo de louro, não uso cordões, não ando gingando nem falo em dialeto. Não sou exceção, felizmente. Sei que há muitos caras e moças como eu. Muitos são poliglotas, outros gostam de música clássica, vários gostam mais de livros do que de pessoas, outros reclamam do calor da Brasil, certamente há os que são introspectivos e de poucas palavras, e há os que nem sentem falta do feijão quando viajam para o exterior.
Embora o Esquenta não tenha a proposta de ser um programa sobre cultura negra, ele ajuda a construir um estereótipo. Por que as novelas não têm galãs negros ou musas negras? Faça a lista dos galãs e das musas televisivas e depois veja quantos são negros. O número será irrisório.
O Esquenta ajuda a manter essa ordem. Em vez de rapazes elegantes, mostra dançarinos com cabelos bizarros. As moças, sempre de shorts minúsculos e prosódias vulgares, nunca serviriam de modelo para capas da Marie Claire ou da Claudia.
Regina Casé e seu programa parecem dizer aos jovens dos guetos: “Ei, isso mesmo, aprendam passinho, aprendam a rebolar até o chão, continuem com seu linguajar próprio, porque tudo isso é lindo, é legal, é Brasil, é tudo junto e misturado, continuem com seus empregos modestos, porque a vida é agora, é para ser vivida, curtida, com alegria, malemolência, sempre com um sorriso no rosto”.
E assim, aquela menina sentada no sofá vai continuar achando o máximo desfilar com pouca roupa e pelos das pernas pintados de loiros pela comunidade. Nunca vai pensar em aprender a falar alemão ou tentar entender os grafites de Banksy, da mesma forma que os rapazes nunca sonharão em trabalhar no Itamaraty e praticarão bullying contra os meninos polidos que não falam em dialeto e inventam de estudar violino, já que um programa televisivo de uma das principais emissoras do país legitima seu estilo de vida mal educado e de poucas perspectivas.
Como um coronel oligarca e cínico, o programa dá uma recado para a garotada negra e parda da periferia: “É isso, dancem, cantem, divirtam-se. Mas não saiam do seu lugar”.
Marcos Sacramento
Sobre o Autor
Marcos Sacramento, capixaba de Vitória, é jornalista. Goleiro mediano no tempo da faculdade, só piorou desde então. Orgulha-se de não saber bater pandeiro nem palmas para programas de TV ruins.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Pão de Açúcar lançará até junho minimercados voltados para classes AB

SÃO PAULO (Reuters) - O Grupo Pão de Açúcar lançará até o início de junho um novo modelo de minimercado mirando consumidores de classe mais alta que buscam a conveniência de compras em estabelecimentos menores e mais próximos, em mais um passo para impulsionar a expansão desse formato.
As lojas do novo modelo terão assinatura da bandeira Pão de Açúcar, disse o vice-presidente de varejo da companhia, José Roberto Tambasco, em contraposição às 168 unidades atuais do minimercado do grupo, que levam o nome da bandeira Extra.
"É um modelo de proximidade com características do Pão de Açúcar, que se difere do Minimercado Extra no que oferece em termos de sortimento e experiência de compra", afirmou o executivo em teleconferência com analistas nesta quarta-feira.
Ele acrescentou que a investida é voltada para o público das classes AB, representando uma oportunidade de expansão do modelo "com maior adequação às características de cada mercado consumidor".
No primeiro trimestre, a companhia abriu seis Minimercados Extra. Em plano apresentado aos investidores no fim do ano passado, o GPA sinalizou a intenção de abrir cerca de 360 novas lojas Minimercado até 2016, no que deverá ser o maior vetor de crescimento físico do grupo.
Segundo Tambasco, o avanço do formato que segue concentrado na Grande São Paulo deverá ser direcionado para outros Estados a partir do próximo ano.
O GPA também analisa um terceiro modelo para o Minimercado, no qual pequenos varejistas adotariam a marca e se beneficiaram da infraestrutura da empresa, maior varejista do Brasil.
"Não é franquia, mas é forma de garantir os ganhos de eficiência, logística e de compra que temos dentro da companhia para pequenos comerciantes que já operam pequenas mercearias e que poderiam se aproveitar da nossa escala", afirmou Tambasco.
O executivo observou que ainda não há nenhuma decisão tomada sobre este terceiro modelo, que é inspirado em operação que seu controlador francês Casino tem na Colômbia.

Educação que liberta - by Diario do Nordeste

A primeira cidade brasileira a abolir a escravidão também é a primeira a reunir os países de língua portuguesa - cinco da África
ilene Gomes atravessou o Atlântico para voltar enfermeira a Guiné-Bissau
FOTOS: FABIANE DE PAULA
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Veterana, Mairra Badinca ajuda na acolhida de estudantes recém-chegados. Unilab é sonho de jovens em cinco países africanos
Edilene sabe desde cedo sua vocação profissional. Quer ser enfermeira. Mas, de sua aptidão e das frequentes visitas a hospitais numa ânsia incontida, desde criança, de cuidar, ela já se sente uma cuidadora de enfermos. Mal chegou a Redenção, no Maciço de Baturité, foi conhecer o Hospital e Maternidade Paulo Sarasate. O desejo de cuidar do desconhecido é acompanhado a distância pelo estranhamento da cidade que ainda aprende a receber o outro.
Ainda sem as aulas práticas do curso de Enfermagem, a estudante de Guiné-Bissau foi ver como tudo funciona no único hospital público da cidade. Repete um ritual feito desde criança, de pedir à mãe que a levasse para o hospital sempre depois da missa de domingo.
Depois que se instalou no Brasil, como em nenhuma outra parte do mundo, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), cresceu a travessia pelo Atlântico. Uma viagem de quem tem interesse em estudar e fazer da construção do saber a reconstrução do próprio país.
Sonho africano
Edilene Gomes, de 20 anos, veio porque quer cuidar de Guiné-Bissau. "Faltam muitos profissionais da saúde no meu país". Apesar do maior fluxo de estudantes africanos para universidades brasileiras, é a Unilab que une Edilene ao próprio sonho. E ao de 272 atuais jovens graduandos de Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, países africanos de língua portuguesa. A eles se somam o Brasil e Timor-Leste.
Pioneira, a Unilab traz o lema "integrar para desenvolver". Uma integração que não é fácil, dificuldade admitida por quem lá estuda ou trabalha, mesmo estando fincada na "primeira cidade brasileira a abolir a escravidão". Tanto pioneirismo fez até mudar o seu nome (antes, Acarape). Alforriou seus 35 escravos em 1º de janeiro de 1883.
Inflação da cor
Redenção possui 26 mil habitantes, mas a rotina e a paisagem são outras desde que os pouco mais de 300 jovens homens e mulheres ali se instalaram, a partir de 2010. O aluguel é mais caro, a comida custa mais, a economia da pequena urbanidade inflacionou com a chegada dos africanos. "É usurpação ao consumidor. Fica parecendo que africano veio cheio de dinheiro. Por outro lado, é tratado como se não pudesse pagar", afirma o sociólogo Joanir Moreira.
"Estudar sofrendo preconceito é muito difícil no começo. As pessoas saem pra ver a gente, como se fôssemos bicho. Eu chorava muito. Quando encontro pessoas da mesma nacionalidade, é como encontrar um irmão". E são irmãos recém-chegados que, mesmo sabendo só o nome, Mairra Badinca não hesita em abrigar temporariamente na casa onde divide aluguel com outros três estudantes.
O que parecia um distanciamento de nacionalidades, na pequena cidade cearense assume outros contornos a partir das calçadas. Embora o comércio seja o segmento local a mais ver como vantajosa a migração estudantil, foi ao entrar no mercantil para comprar xampu que Sandra do Nascimento foi barrada. Não entraria sem deixar a bolsa na entrada. "Pensam que eu vou roubar". Ao perceber que pessoas brancas entravam sem ser abordadas e ouvindo relatos parecidos de colegas negros, a estudante de Cabo-Verde segurou a própria bolsa como se ali estivesse toda a África em seu colo. "Vocês têm câmera, se eu carregasse alguma coisa vocês veriam. Se eu deixar a bolsa na entrada, que garantias eu tenho de que vocês não vão me roubar?".
A histórica renúncia da presença negra na formação do cearense desde o evento abolicionista é considerado um dos entraves ao auto-reconhecimento e, assim, à integração. Para o professor João Paulo, historiador de Guiné-Bissau, não existiu uma preparação para evitar o "choque-cultural" porque "o próprio cearense desconhece sua história e raízes africanas".
"A integração pode começar em mim e em você", afirma Mairra Badinca, estudante de Letras, escolhida que foi para discursar na aula-inaugural de recepção aos novos estudantes africanos - entre eles Edilene - em fevereiro deste ano. Com a experiência de dois anos no Ceará, ela é categórica: "vocês vão encontrar muito preconceito aqui. Racismo mesmo. Mas eu creio que um dia isso vai acabar".
"Estamos em consolidação, somos uma jovem universidade. Ainda não temos as condições adequadas, mas todos teremos. Temos que nos posicionar pelo avanço social e o combate às desigualdades", afirma Nilma Lino Gomes, pós-doutora em Sociologia pela Universidade de Coimbra e a primeira mulher negra no cargo de reitora de uma universidade federal no Brasil. No dia 24 de abril, estudantes fizeram protestos contra atrasos no auxílio financeiro. As aulas foram suspensas. Só com uma grande reunião envolvendo reitoria e alunos, na tarde de ontem, os ânimos serenaram e as aulas serão retomadas no dia 2 de maio.
Estudo e deportação
Fortaleza recebe desde bolsistas do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), para as universidades públicas, a estudantes de diversas faculdades particulares. Mas entre um e outro há distintos pontos dessa travessia. As dificuldades para pagar as mensalidades ou mesmo o mínimo para sobrevivência coloca os africanos em situações novas no Brasil, que acentuam, ou não, entraves no processo de adaptação, seja de aquém ou além-mar. O atraso no pagamento de mensalidades pode afetar a revalidação do visto de estudante, se as faculdades não emitirem atestado de matrícula, podendo gerar até a deportação.
Os estudantes africanos, organizados em associações, acusam instituições particulares de terem feito propaganda enganosa nos próprios países. "Seja um universitário no Brasil", anunciava, em Bissau, uma pequena faculdade particular do Centro de Fortaleza. Mas o custo de vida brasileiro apontado na propaganda estava muito aquém da realidade encontrada pelos jovens ao chegar. A relação social também. No ato de matrícula, a referida faculdade fez recomendações, exclusiva aos estudantes africanos: tomar banho pelo menos duas vezes ao dia, usar perfumes, cremes e loções de pele, pentear o cabelo, escovar os dentes e cortar as unhas.
Ironicamente, essa instituição de ensino superior está situada numa via pública chamada Princesa Isabel.

Melquíades Júnior
Repórter

Morre escritor cearense Nilto Maciel

LUTO


01.05.2014
O autor deixa extensa bibliografia de romances, contos e críticas literárias
FOTO: LUCAS DE MENEZES
A literatura do Ceará acordou mais pobre ontem. Foi encontrado sem vida, em sua casa no bairro Monte Castelo, o escritor Nilto Maciel. O autor cearense completaria 70 anos em 2014. O laudo médico com a causa da morte ainda não foi divulgado.
O corpo foi encontrado pelo também escritor Raymundo Netto. Ele foi à casa do amigo após descobrir que Maciel não havia comparecido, na terça-feira, à abertura do I Encontro Cearense de Literatura Fantástica, em Sobral. "O Nilto não faltaria. Liguei para a Polícia e para o Corpo de Bombeiros. Quando entramos, estava caído no corredor", diz.
Nilto Maciel nasceu em Baturité e deixou extensa bibliografia de romances, contos e crítica literária. Até o fechamento desta edição, não havia informações sobre velório e enterro do autor.